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Sistema operacional

Sistema operacional

Um sistema operativo PE ou sistema operacional PB
é um programa ou um conjunto de programas cuja função é servir de
interface entre um computador e o usuário. É comum utilizar-se a
abreviatura SO (em português) ou OS (do inglês Operating System).


Segundo alguns autores (Silberschatz et al, 2005; Stallings, 2004; Tanenbaum, 1999), existem dois modos distintos de conceituar um sistema operacional:


  • pela perspectiva do usuário ou programador (visão top-down): é uma abstração do hardware , fazendo o papel de intermediário entre o aplicativo (programa) e os componentes físicos do computador (hardware); ou
  • numa visão bottom-up, de baixo para cima: é um gerenciador
    de recursos, i.e., controla quais aplicações (processos) podem ser
    executadas, quando, que recursos (memória, disco, periféricos) podem
    ser utilizados.

  • História

    Na primeira geração de computadores (aproximadamente 1945-1955), que
    eram basicamente construídos com válvulas e painéis, os sistemas
    operacionais não existiam. Os programadores, que também eram os
    operadores, controlavam o computador por meio de chaves, fios e luzes
    de aviso.


    Na geração seguinte (aproximadamente 1955-1965), foram criados os sistemas em lote (batch systems),
    que permitiram melhor uso dos recursos computacionais. A base do
    sistema operacional era um programa monitor, usado para enfileirar
    tarefas (jobs). O usuário foi afastado do computador; cada
    programa era escrito em cartões perfurados, que por sua vez eram
    carregados, juntamente com o respectivo compilador (normalmente Fortran
    ou Cobol), por um operador, que por sua vez usava uma linguagem de
    controle chamada JCL (job control language).

    No início da computação os primeiros sistemas operacionais eram únicos, pois cada mainframe
    vendido necessitava de um sistema operacional específico. Esse problema
    era resultado de arquiteturas diferentes e da linguagem de máquina
    utilizada. Após essa fase, iniciou-se a pesquisa de sistemas
    operacionais que automatizassem a troca de tarefas (jobs), pois
    os sistemas eram monousuários e tinham cartões perfurados como entrada
    (eliminando, assim, o trabalho de pessoas que eram contratadas apenas
    para trocar os cartões perfurados).


    Um dos primeiros sistemas operacionais de propósito geral foi o CTSS , desenvolvido no MIT . Após o CTSS, o MIT, os laboratórios Bell da AT&T e a General Eletric desenvolveram o Multics ,
    cujo objetivo era suportar centenas de usuários. Apesar do fracasso
    comercial, o Multics serviu como base para o estudo e desenvolvimento
    de sistemas operacionais. Um dos desenvolvedores do Multics, que
    trabalhava para a Bell, Ken Thompson , começou a reescrever o Multics num conceito menos ambicioso, criando o Unics (em 1969), que mais tarde passou a chamar-se Unix . Os sistemas operacionais eram geralmente programandos em assembly, até mesmo o Unix em seu início. Então, Dennis Ritchie (também da Bell) criou a linguagem C a partir da linguagem B , que havia sido criada por Thompson. Finalmente, Thompson e Ritchie reescreveram o Unix em C. O Unix criou um ecossistema de versões, onde destacam-se: System V e derivados (HP-UX, AIX); família BSD ( FreeBSD , NetBSD , OpenBSD , etc.), Linux e até o Mac OS X (que deriva do Mach e FreeBSD).


    Na década de 1970 , quando começaram a aparecer os computadores pessoais , houve a necessidade de um sistema operacional de utilização mais fácil. Em 1980 , William (Bill) Gates e seu colega de faculdade, Paul Allen , fundadores da Microsoft , compram o sistema QDOS ("Quick and Dirty Operating System") de Tim Paterson por $50.000, batizam-no de DOS (Disk Operating System) e vendem licenças à IBM . O DOS vendeu muitas cópias, como o sistema operacional padrão para os computadores pessoais desenvolvidos pela IBM.


    No começo da década de 1990 , um estudante de computação finlandês postou um comentário numa lista de discussão da Usenet
    dizendo que estava desenvolvendo um kernel de sistema operacional e
    perguntou se alguém gostaria de auxiliá-lo na tarefa. Este estudante
    chamava-se Linus Torvalds e o primeiro passo em direção ao tão conhecido Linux foi dado naquele momento.



    Visão geral

    Um sistema operativo pode ser visto como um programa de grande
    complexidade que é responsável por todo o funcionamento de uma máquina
    desde o software a todo hardware instalado na máquina. Todos os
    processos de um computador estão por de trás de uma programação
    complexa que comanda todas a funções que um utilizador impõe à máquina.
    Existem vários sistemas operativos; entre eles, os mais utilizados no
    dia a dia, normalmente utilizados em computadores domésticos, são o Windows , Linux e Mac OS X .


    Um computador com o sistema operativo instalado poderá não dar
    acesso a todo o seu conteúdo dependendo do utilizador. Com um sistema
    operativo, podemos estabelecer permissões a vários utilizadores que
    trabalham com este. Existem dois tipos de contas que podem ser criadas
    num sistema operativo, as contas de Administrador e as contas
    limitadas. A conta Administrador é uma conta que oferece todo o acesso
    à máquina, desde a gestão de pastas, ficheiros e software de trabalho
    ou entretenimento ao controlo de todo o seu Hardware instalado. A conta
    Limitada é uma conta que não tem permissões para aceder a algumas
    pastas ou instalar software que seja instalado na raiz do sistema ou
    então que tenha ligação com algum Hardware que altere o seu
    funcionamento normal ou personalizado pelo Administrador. Para que este
    tipo de conta possa ter acesso a outros conteúdos do disco ou de
    software, o administrador poderá personalizar a conta oferecendo
    permissões a algumas funções do sistema como também poderá retirar
    acessos a certas áreas do sistema.


    O sistema operativo funciona com a iniciação de processos que este
    irá precisar para funcionar correctamente. Esses processos poderão ser
    ficheiros que necessitam de ser frequentemente actualizados, ou
    ficheiros que processam dados úteis para o sistema. Poderemos ter
    acesso a vários processos do sistema operativo a partir do gestor de
    tarefas, onde se encontram todos os processos que estão em
    funcionamento desde o arranque do sistema operativo até a sua
    utilização actual. Pode-se também visualizar a utilização da memória
    por cada processo, no caso de o sistema operativo começar a mostrar
    erros ou falhas de acesso a programas tornando-se lento, pode-se
    verificar no gestor de tarefas qual dos processos estará bloqueado ou
    com elevado número de processamento que está a afectar o funcionamento
    normal da memória.



    Funcionamento

    Um sistema operacional possui as seguintes funções:


    1. gerenciamento de processos;
    2. gerenciamento de memória;
    3. sistema de arquivos;
    4. entrada e saída de dados.


    Gerenciamento de processos

    O sistema operacional multitarefa é preparado para dar ao usuário a
    ilusão que o número de processos em execução simultânea no computador é
    maior que o número de processadores instalados. Cada processo recebe
    uma fatia do tempo e a alternância entre vários processos é tão rápida
    que o usuário pensa que sua execuão é simultânea.


    São utilizados algoritmos para determinar qual processo será executado em determinado momento e por quanto tempo.


    Os processos podem comunicar-se, isto é conhecido como IPC ( Inter-Process Communication ). Os mecanismos geralmente utilizados são:


  • sinais,
  • pipes,
  • named pipes,
  • memória compartilhada,
  • soquetes (sockets),
  • semáforos,
  • trocas de mensagens.

  • O sistema operacional, normalmente, deve possibilitar o multiprocessamento ( SMP ou NUMA ). Neste caso, processos diferentes e threads podem ser executados em diferentes processadores. Para essa tarefa, ele deve ser reentrante e interrompível , o que significa que pode ser interrompido no meio da execução de uma tarefa.



    Gerenciamento de memória

    O sistema operacional tem acesso completo à memória do sistema e
    deve permitir que os processos dos usuários tenham acesso seguro à
    memória quando o requisitam.


    Vários sistemas operacionais usam memória virtual, que possui 3 funções básicas:


    1. assegurar que cada processo tenha seu próprio espaço de
      endereçamento, começando em zero, para evitar ou resolver o problema de
      relocação (Tanenbaum, 1999);
    2. prover proteção da memória para impedir que um processo utilize um endereço de memória que não lhe pertença;
    3. possibilitar que uma aplicação utilize mais memória do que a fisicamente existente.


    Sistema de arquivos

    A memória principal do computador é volátil, e seu tamanho é limitado pelo custo do hardware. Assim, os usuários necessitam de algum método para armazenar e recuperar informações de modo permanente.


    Um arquivo é um conjunto de bytes, normalmente armazenado em
    um dispositivo periférico não volátil (p.ex., disco), que pode ser lido
    e gravado por um ou mais processos.


    O sistema de arquivos é a estrutura que permite o gerenciamento de arquivos -- criação, destruição, leitura, gravação, controle de acesso, etc.



    Classificações

    Em relação ao seu projeto (arquitetura), segundo Tanenbaum (1999):


  • Kernel monolítico ou monobloco: o kernel consiste em um único processo executando numa memória protegida (espaço do kernel) executando as principais funções. Ex.: Windows , Linux , FreeBSD .
  • Microkernel ou modelo cliente-servidor: o kernel
    consiste de funções mínimas (comunicação e gerenciamento de processos),
    e outras funções, como sistemas de arquivos e gerenciamento de memória,
    são executadas no espaço do usuário como serviços; as aplicações
    (programas) são os clientes. Ex.: GNU Hurd , Mach .
  • Sistema em camadas : funções do kernel irão executar em camadas distintas, de acordo com seu nível de privilégio. Ex.: Multics .
  • Monitor de máquinas virtuais: fornece uma abstração do hardware para vários sistemas operacionais. Ex.: VM/370 , VMware , Xen .

  • Quanto à capacidade de processamento, pode-se usar a seguinte classificação:


  • Monotarefa : pode-se executar apenas um processo de cada vez Ex.: DOS .
  • Multitarefa :
    além do próprio SO, vários processos de utilizador (tarefas) estão
    carregados em memória, sendo que um pode estar ocupando o processador e
    outros ficam enfileirados, aguardando a sua vez. O compartilhamento de
    tempo no processador é distribuído de modo que o usuário tenha a
    impressão que vários processos estão sendo executados simultaneamente.
    Ex: Windows , Linux , FreeBSD e o Mac OS X .
  • Multiprocessamento ou multiprogramação : o SO pode distribuir as tarefas entre vários processadores.


  • Referências
  • BACH, Maurice J. The design of the Unix operating system . Upper Saddle River: Prentice Hall. 1990.
  • BOVET Daniel P.; CESATI, Marco. Understanding de Linux kernel . 3.ed. Sebastopol: O`Reilly. 2005.
  • MCKUSICK, Marshall K.; NEVILLE-NEIL, George V. The design and implementation of the FreeBSD operating system . Upper Saddle River: Addison-Wesley. 2004.
  • RUSSINOVITCH, Mark E.; SOLOMON, David A. Microsoft Windows internals . 4.ed. Redmond: Microsoft Press. 2005.
  • SILBERSCHATZ, Avi; GALVIN, Peter B.; GAGNE, Greg. Operating system concepts . 7.ed. Hoboken: Wiley. 2005.
  • STALLINGS, William. Operating systems: internals and design principles . 5.ed. Upper Saddle River: Pearson Prentice Hall. 2004.
  • TANENBAUM, Andrew. Sistemas operacionais modernos . Rio de Janeiro: LTC. 1999.



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