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A Qualidade de Software é uma área de conhecimento da Engenharia de Software
que objetiva garantir a qualidade do software através da definição e
normatização de processos de desenvolvimento. Apesar dos modelos
aplicados na garantia da qualidade de software atuarem principalmente
no processo, o principal objetivo é garantir um produto final que
satisfaça às expectativas do cliente, dentro daquilo que foi acordado
inicialmente.
Segundo a norma ISO 9000 (versão 2000), a qualidade
é o grau em que um conjunto de características inerentes a um produto,
processo ou sistema cumpre os requisitos inicialmente estipulados para
estes.
No desenvolvimento de software, a qualidade do produto está diretamente relacionada à qualidade do processo de desenvolvimento [1] ,
desta forma, é comum que a busca por um software de maior qualidade
passe necessariamente por uma melhoria no processo de desenvolvimento.
Rodney Brooks , diretor do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência da Computação do MIT ,
define qualidade como a conformidade aos requisitos. Essa definição
exige determinar dois pontos: I) o que se entende por conformidade; e
II) como são especificados - e por quem - os requisitos.
Para um melhor entendimento e estudo, o SWEBOK divide a Qualidade de Software em três tópicos, cada tópico é subdividido em atividades, da seguinte forma:
Ainda segundo o SWEBOK , a Qualidade de Software
é um tema tão importante que é encontrado, de forma ubíqua, em todas as
outras áreas de conhecimento envolvidas em um projeto. Além disso, ele
deixa claro que essa área, como nele definida, trata do aspectos estáticos, ou seja, daqueles que não exigem a execução do software para avaliá-lo, em contraposição á área de conhecimento Teste de software .
Porém, é normal que se encontrem autores e empresas que afirmam serem os testes de software uma etapa da Qualidade de Software .
Requisitos de Qualidade é um tópico por si dentro do assunto
Qualidade. Dentro da ótica desta última, espera-se que os requisitos
sejam definidos de maneira a caracterizar completamente o produto a ser
construído. Nesse aspecto - e em relação à definição de Brooks - é
evidente que as zonas de sombra dentro de uma especificação abrem
margem a todo tipo de problemas de avaliação de produtos.
Sommerville
distingue requisitos funcionais e não funcionais. O modelo
internacional mais recente Square, estabelecido pela norma ISO 25000,
adota uma classificação um pouco diferente e utiliza uma descrição
hierárquica. Dentro dessa descrição, "funcionalidade" é uma das seis
divisões iniciais em que se classificam os requisitos de um produto de
software.
Idealmente, a especificação de requisitos deve permitir que o
processo de fabricação do software seja controlado. Isso significa que
idealmente a qualidade de produtos intermediários deve poder ser
mensurada e que os dados obtidos devem trazer informação que possa
levar ao controle de desvios, localização de defeitos e outras
ocorrências negativas.
Para permitir a avaliação de produtos finais e de produtos
intermediários, a especificação de requisitos deve, idealmente,
especificar qualitativa e quantitativamente os objetivos a serem
atingidos. Esse objetivo é bastante desafiador. As experiências
iniciais indicam que cada empresa deve construir sua base de dados
própria, a partir da qual é possível refinar as especificações de novos
produtos. Esse caracter localizado dos dados se explica pelo fato de
que não há especificações universais de qualidade de software. Os
requisitos variam caso a caso, não apenas em função dos clientes mas
também dos critérios utilizados pela própria empresa fabricante.
Nas últimas décadas foram propostas dezenas de metodologias e
processos adaptados a diferentes cenários e produtos. Embora se possa
justificar essa multiplicidade por outra lei de Brooks - a ausência de
"balas de prata", é um fato que a situação se mostra confusa.
Há dezenas de trabalhos propostos para casos particulares. Exemplos
das diversas iniciativas para tratar o assunto são metodologias como XP
e Scrum; o modelo CMM, seguido de toda uma série de adaptações (como
SW-CMM, people-CMM, etc.), mais tarde substituído pelo modelo CMMI ;
e dezenas de artigos e teses de mestrado e doutorado, abordando tópicos
particulares em um ou mais de tais métodos, ou propondo ainda novas
adaptações a casos particulares.
A situação deixa evidente que há um vácuo a ser preenchido - atacar
a raiz do problema e identificar uma estrutura suficientemente geral,
capaz de explicar o problema de qualidade e ser adaptada a todos os
cenários diferentes. Se tal objetivo é possível resta a ser provado -
assunto para novos artigos e teses.
A Garantia da Qualidade de Software (GQS) é a área-chave de processo do CMM
cujo objetivo é fornecer aos vários níveis de gerência a adequada
visibilidade dos projetos, dos processos de desenvolvimento e dos
produtos gerados. A GQS atua como "guardiã", fornecendo um retrato do
uso do Processo e não é responsável por executar testes de software ou
inspeção em artefatos.
Obtendo a visibilidade desejada, a gerência pode atuar de forma
pontual no sentido de atingir os quatro grandes objetivos de um projeto
de desenvolvimento de software, quais sejam, desenvolver software de
alta qualidade, ter alta produtividade da equipe de desenvolvimento,
cumprir o cronograma estabelecido junto ao cliente e não necessitar de
recursos adicionais não previstos.
Para conseguir esses objetivos a área-chave de processo GQS estimula
a atuação das equipes responsáveis pelo desenvolvimento de software em
diversas frentes objetivando internalizar comportamentos e ações,
podendo-se destacar:
• o planejamento do projeto e o acompanhamento de resultados;
• o uso dos métodos e ferramentas padronizadas na organização;
• a adoção de Revisões Técnicas Formais;
• o estabelecimento e a monitoração de estratégias de testes;
• a revisão dos artefatos produzidos pelo processo de desenvolvimento;
• a busca de conformidade com os padrões de desenvolvimento de software;
• a implantação de medições associadas a projeto, processo e produto;
• a utilização de mecanismos adequados de armazenamento e recuperação de dados relativos a projetos, processos e produtos; e
• a busca de uma melhoria contínua no processo de desenvolvimento de software.
Para facilitar o trabalho dos desenvolvedores e evitar geração de metodologias diversas, o Serpro desenvolveu o Processo Serpro de Desenvolvimento de Soluções (PSDS).
O PSDS foi construído por pessoas das unidades da empresa que
procuraram aproveitar as melhores práticas existentes e consagradas.
O "CMM - Capability Maturity Model for Software /SEI" é uma
estrutura-"framework", que descreve os principais elementos de um
processo de desenvolvimento de software efetivo. O CMM descreve os
estágios de maturidade através dos quais Organizações de software
evoluem o seu ciclo de desenvolvimento de software através de sua
avaliação contínua, identificação e ações corretivas dentro de uma
estratégia de melhoria dos processos. Este caminho de melhoria é
definido por cinco níveis de maturidade: inicial, repetitivo, definido,
gerenciado e otimizado.
O Modelo CMM (CMM- Capability Maturity Model) fornece às
organizações uma direção sobre como ganhar controle de seu processo de
desenvolvimento de software e como evoluir para uma cultura de
excelência na gestão de software. O objetivo principal nas transações
destes níveis de maturidade é a realização de um processo controlado e
mensurado como a fundação para melhoria contínua. Cada nível de
maturidade possui um conjunto de práticas de software e gestão
específicas, denominado áreas-chave do processo. Estas devem ser
implantadas para a organização atingir o nível de maturidade em
qualidade de software.
MOLINARI, Leonardo. Gerência de Configuração - Técnicas e Práticas
no Desenvolvimento do Software, Editora Visual Books, 2007,
Florianópolis, 85-7502-210-5.
KOSCIANSKI, A., Soares, M. S.. Qualidade de Software. Editora Novatec, Segunda Edição, 2007.
MOLINARI, Leonardo. Testes de Software - Produzindo Sistemas
Melhores e Mais Confiáveis, Editora Èrica, 2006, 3a Edição, São Paulo,
85-7194-959X.
BROOKS, F. P. No Silver Bullet: Essence and Accidents of Software Engineering". Computer, Vol. 20, N. 4, pp 10-19. April, 1987.
PRESSMAN, R. S. Engenharia de Software. McGraw Hill, 2002.